terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Dança da cadeira

O Ministro da Saúde foi afastado do seu cargo, mas parece-me que brevemente muito gente vai sentir saudades do Sr. Correia de Campos.... Apesar da ilustre senhora que vai ocupar o lugar dele já ter referido que pouco vai mudar, é evidente que o Sr "Eng" Sócrates vai conseguir ganhar algum tempo com esta manobra. As danças da cadeira costumam fazer correr muita tinta... Passado algum tempo já ninguém se lembra porque é que foi a mudança... O ex Ministro teve a coragem que os seus antecessores nunca tiveram. Iniciou um projecto reformador a nível nacional, não foi só as reformas das urgências, foi também mexer nas estruturas de gestão hospitalar e se calhar o maior desafio deste senhor foi enfrentar os médicos em muitas situações... é graças a ele que na maioria dos hospitais o sr doutor passou a picar o ponto... ou como é feito agora a pôr o dedo... Todos se lembram como era antes... olhem para o Hospital St Antonio, só os empregados de segunda picavam o ponto... Isso agora acabou.. Na reestruturação do pré hospitalar deu a oportunidade aos enfermeiros de ter um papel activo, situação que de inicio não estava prevista, uma vez que outra classe profissional se preparava para ficar com essas funções. Demonstrou confiança e defendeu as capacidades do enfermeiro mais que uma vez publicamente. Como é evidente nem tudo foi rosas.... a reestruturação talvez terá sido um pouco precipitada, mas a pressão orçamental é muita... os interesses instalados são maiores do que a gente imagina... Não vou dizer muito mal porque os defeitos podem ver nos jornais e televisão... mas pensem e façam uma análise crítica...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Coisa de modas

Nos últimos dias existem inúmeros temas do qual poderiamos tecer considerações, desde o velhinho que cai da maca, do doente com prioridade amarela que morre (provavelmente de tanto esperar), ou simplesmente do anedótico bombeiro de Alijó... O tema que realmente me apetece falar é sobre a miséria em que caiu o nosso ensino de enfermagem. Se em 1997 enquanto aluno eu já me queixava das docentes extremamente teóricas e na altura pedia um ensino de qualidade, a supervisão das instituições, um maior apoio de acção social escolar, estava eu longe de imaginar o descalabro que iriam ser os anos seguintes. Quando passamos a ser um curso com a duração de 4 anos perdemos a oportunidade de realizar alterações significativas na estrutura curricular dos cursos de forma a garantir o melhor ensino possível. Poderiamos ter aproveitado este momento para fazer uma rede integrada de escolas de forma a coordenar os locais de estágio, teria sido também uma boa ideia chamar à enfermagem, nomeadamente à Ordem a tutelagem e supervisão dos estabelecimentos de ensino, regulamentando e limitando também as condições para abetura de novas escolas. As especialidades com excepção de obstétricia e talvez reabilitação simplesmente não existem na forma prática. Nos serviços apesar de terem um papel que diz que são especializados o seu trabalho em nada difere dos graduados ou enfermeiro nível 1... Custa dizer isto, mas as especialidades nos moldes em que são feitas só servem para as escolas ganharem dinheiro e mais nada, porque o contributo que estas trazem para a profissão é nulo. Coloquem um profissional que trabalhe há 10 anos numa urgência ao lado dum profissional que trabalha ha dois e que depois tirou uma especialidade e vejam quem tem mais saber ser ou saber fazer..... Nos dias de hoje não interessa saber, interessa ter um papel... Não sei porque criticaram o "Eng" Socrates por ter arranjado um papel se todos andam atrás do mesmo. Não se escolhe a escola pela sua credibilidade e seriedade, escolhe-se a escola que facilita mais o atingir do nosso objectivo em ter um papel. Talvez não estivessemos preparados para ter uma licenciatura, talvez tenhamos perdido uma oportunidade de dignificar o nosso ensino dando desta forma credibilidade a nossa profissão.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Nada se perdeu...nada se transformou...

Dias felizes eram aqueles em que todos orgulhosamente festejávamos o mais que reconhecido direito do nosso curso ser uma Licenciatura de base, a criação da Ordem dos Enfermeiros, enfim momentos de esperança que nos faziam expectar por um futuro melhor.... curiosamente foi sensivelmente neste momento que as coisas estranhamente começaram a piorar.... ora vejamos.... No ensino foi o descalabro total, a proliferação de escolas de enfermagem apenas criadas com a intenção de serem autenticas fábricas de dinheiro, a reconversão e aproximação ao resto do ensino superior também não se veio a verificar estando neste momento os alunos de enfermagem alheados de um conjunto de benefícios sociais. No fim dos cursos a certeza de um emprego certo desvaneceu-se, sendo neste momento uma das maiores preocupações de quem agora termina o seu curso. No mercado de trabalho, as coisas também estão muito escuras, tão escuras como os critérios de selecção de pessoal de enfermagem em hospitais SA e centros de saúde, contratos de trabalho precários, mal remunerados e com poucas perspectivas de progressão ou vinculo... voltaram os recibos verdes, o surgimento de novos fenómenos na nossa área como o de empresas de aluguer de mão de obra. Enquanto nos deslumbrávamos com o brilho do nosso diploma de licenciado e com a nossa (des)Ordem, outros grupos profissionais aproveitaram para nos irem ganhando terreno, são os técnicos de saúde e até os auxiliares de acção médica agora têm catarro... Para as nossas especializações previa-se uma grande restruturação, isto pensando no tempo que demoraram em oficializa-las, mas (só nos acontece a nós) após anos de estudos vem tudo na mesma..... Talvez este seja o momento de viragem, exigir o que é nosso por Lei e direito adquirido! Não podemos deixar que nos calquem mais uma vez, porque irá chegar o dia em que o retorno vai ser difícil. É da nossa responsabilidade lutar pelo futuro e dignidade da nossa profissão. Deixar de remar cada um para o seu lado e apesar das divergências lutar lado a lado!